segunda-feira, 28 de julho de 2008

BOM AMIGO

Bom Amigo é o nome do simpático boteco do seu Celso, na esquina das ruas do Resende com Gomes Freire, no bairro da Lapa. Passei parte desta noite de segunda-feira por lá, e percebi que este nome realmente lhe cai bem.

Seu Celso é um potiguar que trabalha atrás deste balcão há exatos vinte e cinco anos. Ele era funcionário da casa, e depois que soube que o antigo patrão venderia o pé-sujo, juntou os trocados e comprou o local. Sábia decisão.

Brahma, Antártica, Skol, Itaipava, e Serra Malta, são as cervejas claras da casa. Degustei uma geladíssima Brahma. Caracu, Malzbier, e Black Princess são as morenas que completam a carta de geladas. Uma imagem de São Jorge na parede é rodeada pelas inúmeras bebidas quentes, estão ali para dar água na boca nos apreciadores de cada dia. Caldo de mocotó, ovo de codorna, e porção de carne assada, fazem parte das iguarias do bar.

Seu Celso conversava com um senhor de origem japonesa, que jantava um angu, como se ele fosse local. Falavam sobre a tal da lei seca. Sabe como é botequim, quando menos esperamos já estamos na conversa. E lá fui eu. Depois de vinte minutos de prosa, seu Okimura, este é o nome deste senhor, revelou-me que come todas as noites ali para assistir o telejornal com o seu Celso. Disse-me que é viúvo e mora sozinho, e seu parentes vivem em Volta Redonda.

- É muito ruim ver televisão sozinho em casa.

Confessou-nos naquele boteco, este solitário homem oriental. Lembrei-me imediatamente de meu camarada paulista Szegeri, que escreveu dia desses sobre a solidão do boêmio (leia aqui o texto "Ai de nós!"). Por isso, creio eu, o nome BOM AMIGO está bem escrito no letreiro empoeirado do recinto.

Vale dizer também que até às 18 horas, hora da Ave-Maria, a badalação do pé-sujo fica por conta das ondas da rádio AM. Depois entram os telejornais, para a alegria do seu Okimura.









Seu Celso



Seu Okimura - ao centro - assistindo o telejornal.



Outro solitário de balcão.


obs: Peço desculpas pela qualidade das fotos, foram feitas pelo telefone celular. E telefone é feito pra se falar, não pra se fotografar.

Até.

12 comentários:

Betinha disse...

Na boa, pensei que a falta de foco da primeira foto fosse proposital. Na hora em que a vi me senti na pele de uma pessoa com os olhos embacados pelas lagrimas, chegando ao bar...
Acho que ando sentimental demais... :)
Beijos!

Rodrigo disse...

Felipe, sou seu leitor, descobri seu blog, no balcão do boteco do edu, quero deixar meus sinceros votos de obrigado. Eu que sou um freqüentador solitária de uma espelunca aqui de sampa, fui as lágrimas com seu belo texto, Como disse a menina ai de cima, ando sensível demais.

Abraço

Bruno Ribeiro disse...

Felipinho, meu bom: estou indo dormir. Levemente bêbado, recém-chegado de um buteco infecto, depois de uma noite solitária de observação boêmia no balcão de fé. Estou chorando - não só por causa do texto, mas principalmente por conta da última foto. A do solitário de balcão. Meu Deus, como lembrei do nosso irmão Fernando Szegeri nesse momento! E em cada um de nós! Na querida Betinha, cada vez mais presente em nossos botecos e a cada dia mais emotiva! Onde vamos parar com tanta emoção? Ando preocupado com nossa turma, acho que iremos todos morrer afogados em lágrimas, não é possível... Beijo, querido!

Felipinho disse...

Betinha, saudade de sua companhia nos botecos. Olhando pelo lado sentimental, que é o nosso, até que a primeira foto parece estar embaçada pelas lágrimas dos olhos de alguém especial. É isso, matou a pau. beijo.

Rodrigo, que beleza de comentário. É muito legal ter frequentadores dos verdadeiros botecos por aqui. Em Outubro vou para São Paulo, e quem sabe nos esbarramos num balcão qualquer. Abração.

Brunão, meu camarada. Saudades... Nossa turma realmente está sentimental demais, é uma choradeira só. Mas este tipo de choro é o que nos une, que nos torna simples e verdadeiros. Em breve beberemos em sua terra, meu chapa. beijo.

isaac disse...

Felipinho....quer dizer que lá tem BLACK PRINCESS ??????? caraca..isso é uma preciosidade ...... é a melhor cerveja do mundo !!!!!!!!!! abraços e saudações americanas !!!

Felipinho disse...

Tem sim, meu grande Isaac, para nossa alegria! No Panamá bar também tem, e aqui perto do trabalho, no boteco Rainha de Santana, tem também. Em abril do ano passado escrevi sobre ela:

http://boemiaenostalgia.blogspot.com/2007/04/bar-rainha-do-senado-neste-p-sujo-ou.html

Abração.

Rodrigo disse...

será bem vindo, meu caro!

Arthur Tirone disse...

Assim como meu irmão Bruno Ribeiro, essa última foto me pegou de jeito. Eu aprecio o solitário de balcão (engraçado que às vezes sinto uma pena deles, como de mim); sabe-se lá o que passa em sua cabeça, a quantas anda o coração, se há angústias o atormentando, se está comemorando alguma coisa ou, ainda, se está apenas cumprindo uma rotina etílica e/ou social. Ele pensa na filha que foi viajar, numa mulher que não vê há dez anos, naquele pênalti que não podia ter sido perdido, no colesterol lá nas alturas, na infância já tão longínqua... Meu Deus, preciso parar com isso...

Felipinho disse...

Não pare com isso nunca, meu camarada Favela. E pelo que pude perceber no olhar fixo, mirando o nada, deste solitário enquanto dividia o balcão com ele, acho que não pensava em algo, mas em alguém...

bj.

leo boechat disse...

opa, um dia passo lá pra pegar um JN.

Juliano disse...

Estive ontem (segunda-feira) às 19 horas. O bar estava muito mais animado. Seu Chico, o atendente, reclamava por não ter jogado no burro e que por isso perdera 180 contos.

O clima nessa bar é ótimo, já virou um dos meus preferidos, agora que eu moro no Centro.

Anônimo disse...

Tô aproveitando pra reler o Pileque e o BN.
Resolvi comentar pra falar deste bar.
Depois de 7 anos ele mudou de nome - agira é Boteco do Pedro - e sofre uma reforma. Diminui o balcão pra aumentar a qtde de mesas no salão.
Mas as cervejas continuam bem geladas e os tira-gostos cada vez melhores. Adoro o torresmo e as almôndegas de lá.
O bar nunca tá vazio. Serve PF no almoço e na janta. Tenho dúvidas se ele fecha. É um porto seguro na madrugada.
Tande Biar