terça-feira, 15 de junho de 2010

RODA DE VITROLA

Pessoal, amanhã às 18 horas farei uma roda de vitrola na rua do Ouvidor defronte a livraria Folha Seca. Esta é a segunda edição do evento, se pudermos chamar assim. Na primeira oportunidade fizemos homenagem ao grande Jamelão, aniversariante do mês de maio. Amanhã daremos importância a duas estrelas do cancioneiro nacional que completariam anos por agora caso ainda estivessem entre nós, Dolores Duran e Nelson Gonçalves. O áudio dos lps destes indiscutíveis nomes soarão ao ar livre pelos cantos antigos do centro carioca, dando aos que estarão ali um presente em forma de nostalgia.



A Folha Seca, livraria do meu amigão Rodrigo Ferrari, fica na rua do Ouvidor n° 37. A roda vai das 18hs até 21h30.

terça-feira, 11 de maio de 2010

SUCOS E BALAS 1001

Faltavam trinta minutos para a escalação da seleção e eu ainda no trabalho. Tinha marcado de almoçar na casa de minha , ela me ligou dizendo que fizera um angu, mas saí atrasado para o encontro. Minha vovó mora perto do meu batente, então vou a pé. Quando estava no meio do caminho vi a movimentação nas ruas para a escalação no escrete nacional e tive que me atrasar mais ainda.

Estava na rua Tadeu Kosciusko, no glorioso Bairro de Fátima, e entrei no primeiro estabelecimento que tinha televisão. Tratava-se de uma loja de balas. Olhei para a lista do Dunga na pequena televisão, achei um merda o selecionado, e depois começaram os comentários ao meu redor. Foi quando me dei conta que havia muito marmanjo no depósito de balas e doces, todos com um copo de cerveja na mão. Olhando mais para o fundo da casa, encontro várias prateleiras de balas, doces e biscoitos, e no cantinho outras de bebidas quentes. A Sucos e Balas 1001 é uma birosca bem bacana fantasiada de depósito de balas. Achei curioso e local e pedi uma Brahma. Fiquei lá dentro por meia hora e nenhuma criança pisou ali, só entrava pé inchado mesmo. Perguntei pro caboclo que estava servindo se ele fazia um suco de laranja, já que o nome da casa dizia ser de sucos, mas o homem afirmou que jamais havia feito um. Ou seja, é cerveja ou cachaça.


Para beliscar, meus caros, nada de ovo de codorna ou batata calabresa, apenas bala juquinha ou maria mole. Mas da geladeira sempre eram tiradas para o tímido balcão, ampolas fumegantes, isso eu garanto, pois vi com os próprios olhos. Quero voltar com mais calma à noite para apreciar melhor este botequim curioso e honesto, onde bebe-se uma excelente cerveja e pode-se assistir jogos de futebol pois tem tv paga.














Salve o Rio, salve nosso bares, salve o Sucos e Balas 1001.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

CAFÉ E BAR TONDELA

Acho que é o bar mais submundo que já frequentei. Putas e bêbados sem lar disputam um canto da espelunca. O bar fica na esquina das ruas General Caldwell e Frei Caneca, um lugar escuro e largado da cidade, onde depois das nove da noite só vemos nas redondezas as prostitutas varizentas e barrigudas de quinta categoria (vi um vendedor desses de ônibus que fechou negócio por cinco pratas e o resto com balas) e os cachaceiros que parecem vultos se arrastando pelas paredes dos casarios. Quer dizer, parece cenário do filme do Charles Bronson.

E o que me levou a beber neste buraco? Pois é, eu sempre passava diante dali e nunca tive o interesse de entrar, era como se fosse um boteco proibido. Até que um dia, conversando com o Schneider, um velho parceiro conhecido como "O caçador de Marimbondos", fiquei sabendo que apesar do lado sombrio do local existiam muitas mofadas dentro das geladeiras. Ele só bebe marimbondo, mas jura que viu as ampolas. Bom, dito isso, lá fui eu.

Apareci no botequim um ou dois dias depois e pedi Brahma, mas o homem que me atendia de dentro do balcão me trouxe uma Antartica. Ao pousar a cerveja no balcão me explicou que só trabalhava com esta marca pois era a que todos pediam e a que ele preferia. Bom, é isso mesmo, o boteco só vende Antartica. Eu, que não sou trouxa e vi a espessura da capa de gelo que envolvia o casco, mandei abrir. A bichinha estava trincando o marfim, o Caçador de Marimbondos estava certo.

Estabelecido no meu canto, resolvi dar uma olhada na clientela. Tinha um senhor de camisa azul e óculos que parecia uma estátua, e somente se mexia pra levar o copo à boca, depois voltava com elas para o queixo. Outro estava na mão do palhaço, a cada gole que dava chamava por uma mulher de nome Marisa. No balcão, ao fundo, três moças se arrumavam para o trabalho retocando a maquiagem no espelho rachado do banheiro. Depois disso uma delas, a maior, pediu um sanduíche de carne seca e guardou na bolsa pra mais tarde.

Eu derrubei cinco garrafas sem pressa, e durante esse tempo, cerca de uma hora, fiquei olhando o homem-estátua, o cachaça chamando pela Marisa, e o entra e sai das trabalhadoras vaidosas. Isso é o Tondela, o hotel de luxo dessas pessoas, o abrigo necessário para os que vivem na escuridão e um oásis para os amantes de Antartica.















Salve.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CAFÉ E BAR MARCOENSE

No Café e Bar Marcoense você não passa fome. Além do balcão entupido de belos aperitivos, o almoço é espetacular. Uma ótima comida caseira de bar, com menus diários bem honestos e muita fartura na cumbuca. Quem toca o lugar é o seu Armando, que não pára um minuto quieto. Suas ajudantes de balcão são bem simpáticas e a rapaziada não deixa faltar nada. Ou seja, você tem tudo para sair satisfeito de lá. E a freguesia? Se entregam totalmente ao bar, lá é realmente onde estão à vontade, onde têm a calma que necessitam para lidar com os problemas cotidianos. Como o povo da Zona Norte gosta disso, faz do botequim preferido o seu mosteiro particular.

A cerveja é um caso a parte. Olha que tem muito lugar vendendo mofada por aí, mas no Marcoense é demais. A Brahma estava MUITO gelada, sem sacanagem. Não dava vontade de parar não. As prateleiras que sustentam as bebidas quentes têm por trás azulejos antigos e cafonas, mas que dão respeito para a birosca.

O bar fica na gloriosa rua Sampaio Ferraz, no Estácio. Aliás, esta rua está cheia de bons botecos e comércios tradicionais. A barbearia do Manolo, por exemplo, está nesta rua há mais de quarenta anos.

Eu vinha do centro da cidade no último sábado e parei ali para molhar a garganta. Mas depois que vi as comidas do local... Saldo: Três Brahmas, um sanduíche de pernil e um caldo de mocotó. Saí de barriga cheia e com vontade de retornar prontamente. Aliás, podem aguardar, outros bares do Estácio aparecerão por aqui.

Tijuca e arredores sempre com o há de melhor no quesito balcão sujo. Felizardos os que podem acomodar os cotovelos em um qualquer.


















Até.

terça-feira, 6 de abril de 2010

ERIC, UM SUECO DE BOTECO.

Meu amigo sueco Eric Jonas Gunarsson, voltou para a terra gelada depois de mais de treze anos vivendo no Rio. O retorno foi na quarta-feira passada. O motivo é que seus pais estão precisando de sua companhia e sua mulher, que é brasileira, quer que o filho deles estude na Suécia.

Bom, o que sei é que sua vontade era de não sair daqui. Na semana passada, numa saideira que fizemos num botequim que ele escolheu, fiz algumas perguntas pra ele e filmei. Não tinha pensado em colocar aqui, mas coloco como forma de homenagem ao Eric, grande parceiro de bar, que na minha opinião é carioca.


Até.

quarta-feira, 24 de março de 2010

MODA DE BOTEQUIM

A série "Moda de Botequim" a partir de agora vem de forma um pouco diferente. Além de trazer as vestimentas clássicas dos ébrios frequentadores dos botecos da cidade, fará comparações com pessoas comuns, mas que se acham estrelas só porque saem na coluna "Moda de Rua" do jornal O Globo, aos domingos. Detalhe: os fotografados desta seção do jornal sempre são da zona sul. Nunca aconteceu de aparecer a moda de rua dos pedestres de Coelho Neto, por exemplo. Por que será? Bom, acho que a pergunta é desnecessária.

A Coluna Moda de Rua trouxe-nos neste domingo a Tatiana, esta produtora de moda toda serelepe que batia perna pelo baixo Botafogo. Sobre a grife de suas vestimentas, sinceramente, nunca ouvi falar de nenhuma. Não sei nem onde se compra isso, e deve custar os olhos da cara.

Tati, minha querida, não complique seu cotidiano com marcas bestas que você não deve nem conseguir pronunciar. E além disso, tens cara de quem come sardinha e arrota caviar, deves pagar isso tudo no crediário a perder de vista. Para você, o Moda de Botequim aconselha Bidu Modas, para vestidos sociais, e Braseiro modas para moda íntima. Ambas na rua Haddock Lobo, uma do lado da outra, quase debaixo do viaduto Paulo de Frontin.



E dando uma aula de classe na Tatiana, temos o Seu Jairo, 62 anos, mecânico. Ele pousava o cotovelo num balcão vagabundo da Praça Onze na última segunda-feira. Camisa, não trajava (estava calor). Cinto de couro da marca Gury, comprado no Méier. Calça bicolor (azul atrás e preta na frente, pois está na moda) adquirida num camelô em Vilar dos Teles, a capital do jeans. Chaveiro pendurado que ganhou de brinde da Farmácia Descontão. Apesar de não aparecer na imagem, calçava um par de chinelos Katina Surf.

Objetivo, confortável e sem machucar o bolso. Siga a tendência de Seu Jairo, Tatiana, deixe de lados essas grifes que vivem dos trouxas e simplifique sua boniteza seguindo as dicas do Moda de Botequim.


Até.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

BRASEIRO MODAS

Está num pedacinho da rua Haddock Lobo, entre ruas do Matoso e Batista das Neves, uma sequência de estabelecimentos comerciais muito antigos, tradicionais e importantes para o bairro. Começando do sentido da mão dos carros, temos: Óticas Nuance, Doceria Popeye, Ervedosa materiais de construção (esta pegou fogo e agora está situada na rua Barão de Itapagipe), Floricultura Flor de Liz, Armarinho Braseiro ou Braseiro Modas, um boteco imundo, um barbeiro mais imundo, porém, há trinta anos ali, uma loja de roupas chiques para senhoras chamada Bidú e finalmente uma loja de móveis chamada "House".

Tenho neste pedaço de rua, meus caros, comércios e comerciantes que estão no meu coração. O motivo? Todos estão lá, no mesmo lugar, desde que passeava por ali no colo da minha mãe, ou antes. O bairro da Tijuca é o que é por causa disso. Passeia-se pelas ruas com a sensação de que estamos andando pela sala de nossa casa. O orgulho de ser tijucano está estampado no rosto dos transeuntes, que sempre fazem questão de mandar acenos, dar tapinhas nas costas ou largar suas sacolas de compras no chão para papear com um vizinho que acabam de encontrar. A Tijuca me dá todos os prazeres da vida, isso basta.

Hoje pela tarde dei um pulo até a Braseiro Modas, fui comprar uma bermuda. A casa está fincada ali há exatos 44 anos, ou seja, desde 1966. As roupas estão expostas em cristaleiras muito bonitas, bem altas, pois o pé-direito da casa deve ter seus seis metros. Camisetas furadinhas, camisas sociais, camisolas, meias sociais, calçolas, cintos elegantes e moda íntima em geral enchem as estantes e mostruários.

Seu Armindo e dona Célia são portugueses e tocam a casa com simpatia tijucana. Andei conversando com ele, e disse-me que ali era uma antiga farmácia antes de abrir a Braseiro. Informou-me também que muita gente veio prestigiar a inauguração, inclusive um famoso do bairro, o Tim Maia. Fiquei mais de uma hora ali e confesso que entrei no túnel do tempo. O bom homem me contou coisas preciosas da redondeza, coisas que um dia compartilharei com todos.

Comprei uma bermuda Pool e uma camiseta amarela da Hering e em troca ganhei o carinho das pessoas queridas do meu lugar.


A fachada.



Vitrine recheada.


Dona Célia ao lado dos cintos América.



Nota de 10 cruzeiros para demostrar a existência do bolso traseiro.



Seu Armindo pegando minha camiseta.



Camisolas.



Bermuda Pool.



Interior da loja.


Camisetas, meias e cuecas.

Até.
obs: Favor não reparar na qualidade das fotos. São de celular.