Bom Amigo é o nome do simpático boteco do seu Celso, na esquina das ruas do Resende com Gomes Freire, no bairro da Lapa. Passei parte desta noite de segunda-feira por lá, e percebi que este nome realmente lhe cai bem.
Seu Celso é um potiguar que trabalha atrás deste balcão há exatos vinte e cinco anos. Ele era funcionário da casa, e depois que soube que o antigo patrão venderia o pé-sujo, juntou os trocados e comprou o local. Sábia decisão.
Brahma, Antártica, Skol, Itaipava, e Serra Malta, são as cervejas claras da casa. Degustei uma geladíssima Brahma. Caracu, Malzbier, e Black Princess são as morenas que completam a carta de geladas. Uma imagem de São Jorge na parede é rodeada pelas inúmeras bebidas quentes, estão ali para dar água na boca nos apreciadores de cada dia. Caldo de mocotó, ovo de codorna, e porção de carne assada, fazem parte das iguarias do bar.
Seu Celso conversava com um senhor de origem japonesa, que jantava um angu, como se ele fosse local. Falavam sobre a tal da lei seca. Sabe como é botequim, quando menos esperamos já estamos na conversa. E lá fui eu. Depois de vinte minutos de prosa, seu Okimura, este é o nome deste senhor, revelou-me que come todas as noites ali para assistir o telejornal com o seu Celso. Disse-me que é viúvo e mora sozinho, e seu parentes vivem em Volta Redonda.
- É muito ruim ver televisão sozinho em casa.
Confessou-nos naquele boteco, este solitário homem oriental. Lembrei-me imediatamente de meu camarada paulista Szegeri, que escreveu dia desses sobre a solidão do boêmio (leia aqui o texto "Ai de nós!"). Por isso, creio eu, o nome BOM AMIGO está bem escrito no letreiro empoeirado do recinto.
Vale dizer também que até às 18 horas, hora da Ave-Maria, a badalação do pé-sujo fica por conta das ondas da rádio AM. Depois entram os telejornais, para a alegria do seu Okimura.
Outro solitário de balcão.
obs: Peço desculpas pela qualidade das fotos, foram feitas pelo telefone celular. E telefone é feito pra se falar, não pra se fotografar.
Até.























