terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O AMOR ACABA EM PETRÓPOLIS - final

Ele engole a mentira de sua pequena, mas na verdade tem vontade de chamá-la disso e daquilo. Imediatamente finge um mal súbito e diz que tem que dar uma volta para tomar um ar. Não quer ficar nem mais um minuto naquela casa. Beth vai atrás dele com toda sua pureza, na tentativa de ajudá-lo. Conde está fervendo por dentro, entra no fusca, bate a porta violentamente e se arranca para o Rio. Beth fica surpresa com a situação e entra em casa.

Ele desce a serra xingando tudo, fazendo merda pra cacete, e com a certeza de que é corno. Pensa no tal amasso entre sua pequena e Alberto, o tal almofadinha do clube. Chega em Copacabana e vai direto para o primeiro balcão que encontra. Pede conhaque Dubar. Quer chorar mas não consegue, então fica dando murros na parede do local sem medir sua força. Vai fazendo sua peregrinação de homem corno pelos bares sujismundos de Copa. Entra no Nogueira, onde várias meninas que trabalham na noite logo chegam ao seu redor. Ouve-se pelas caixas de som do local, Silvio Caldas cantando Chão de Estrelas. Conde está tão fora de si que sai agarrando duas de uma vez, passando a mão, lambendo orelhas, mordendo cangotes e distribuindo dedadas. Está afoito. Leva as duas moças para um hotel onde passam várias horas juntos. Ele só pensa em fazer a maior quantidade de merdas possíveis, pois está furioso com Elizabeth, muito furioso. Depois da esbórnia chega em casa, cai no sofá e começa a chorar. Todos os momentos bonitos vividos com sua pequena passam por sua cabeça.

Fica uma semana sem dar as caras em Petrópolis, e nesse tempo seu rendimento laboral cai muito, pois todo dia é dia de putaria. Rasga dinheiro com bebidas e com as mulheres que ficam nas calçadas do bairro. Seu amigo Orlando o encontra numa esquina qualquer e quase não o reconhece.

Alguns dias depois dos intensos momentos de farra e revolta, pega o telefone e liga para a casa de Beth:

- Alô?

Atende o velho Oliveira.

- Quero falar com Elizabeth?

- Conde? É você?

- Claro! Quem mais poderia ser perguntando por ela?

- O que há com você? Sumiu e deixou minha filha desolada, chorosa... E agora com grosserias... Você não é mais o mesmo.

Conde, puto de raiva com o cinismo da namorada, responde.

- Chama ela pra mim agora, seu Oliveira.

- Ela não está. Saiu pra estudar.

- Mas são dez da manhã e a faculdade começa às cinco da tarde?

- Foi para a biblioteca, melhor do que ficar passando mal em casa por sua causa.

- Na biblioteca... Pois diga a ela que subirei assim que puder.

E bateu o telefone na cara do sogro.

Naquele exato momento partiu para Petrópolis. Em pouco mais de uma hora estava na biblioteca. Mas como já imaginava, nada de Beth. Chegando em sua casa, o velho Oliveira fica mais uma vez surpreso:

- Mas você aqui, rapaz? Veio rápido! Que coisa!

- A Beth está?

- Já não falei que está estudando na biblioteca?


E Conde responde com voz alterada:

- Acabo de voltar de lá e não encontrei com ela. Ela mentiu!

- Pára com isso. Deve ter dado uma volta para descansar, ou pode estar a caminho de casa. Estás desconfiado da minha filha?

- Sua filha é que não é mais a mesma!


Sai nervoso e bate a porta com violência. Oliveira já está de saco cheio do seu genro, e quase deixa seus bons costumes de lado para falar-lhe umas palavras merecidas.

Conde vai ao bar onde encontrara Coelho, seu amigo motorista, da última vez em que esteve por Petrópolis. O bar fica defronte ao prédio onde Beth entrara com o vestido amarelo. Ao botar os pés no boteco pediu genebra, e foi logo perguntando:

- Ôôôô chefe... Sabe do Coelho, o motorista? Sabe se trabalha hoje?

- Rapaz, ele se aposentou agora nestes dias, está de vida boa. Esteve aqui pela manhã rapidamente e foi embora. Você é amigo dele, né?

- É, sou do Rio, amigo dele sim.

- Pois acho que ele foi pra casa, você sabe onde é né, aqui em frente...

- Como? Não, não sei...

- Ele mora neste edifício aí, no 402. Acho que está em casa.

- Tá ok.


Conde paga a genebra e não entende mais porra nenhuma. Mas como está na cidade para resolver seus problemas, resolve ir ao prédio. Antes disso vai até o carro e pega sua capanga. Chega na portaria e não encontra ninguém, o que lhe dá a liberdade de tomar as escadas de assalto. Sobe pensativo e contando os degraus, até que chega ao quarto andar. O apartamento 402 fica no final do enorme corredor, e ele não vê e nem escuta nenhuma alma. Chegando bem em frente ao apê de Coelho, na porta do 402, fica parado, ereto e pensativo. Várias coisas passam por sua cabeça, principalmente os passeios e viagens inesquecíveis que fez com Elizabeth. Lembra de todo o começo do namoro como se fosse um sonho, desde o primeiro beijo na ainda na Lapa. Por alguns minutos tem um ataque de risos misturados com poucas lágrimas, mas logo volta a si e fecha a cara, resolvendo então bater na porta. Bate por minutos e nada. Quando pensa em desistir escuta um barulho dentro do apartamento, é alguém que se aproxima. Coelho abre a porta de supetão, sem olhar pelo olho mágico, e fica branco ao ver Conde. Num rompante tenta fechar a porta mas seu "amigo" não deixa, iniciando ali uma medição de forças. Conde é mais jovem, mas Coelho é um crioulo forte apesar da idade. Depois de uma breve luta Conde vence a batalha e entra. Ele vê com espanto o seu amigo caído no chão, trajando galochas negras, capacete de pedreiro e mais nada. Coelho se levanta e parte para a briga, mas Conde lhe dá um chute nos bagos que leva o coroa a nocaute. Coelho fala com dificuldade:

- Saia daqui, ninguém te chamou...

Conde finge que não escuta e invade a casa. O apartamento é pequeno e logo no primeiro quarto encontra o que já esperava, sua pequena. Viu a cena mais grotesca de sua vida, queria estar morto. Ela estava amarrada no pé da cama com cordas grossas, de quatro, com uma mordaça na boca, vestia somente meias e estava com metade do cabo de uma martelo introduzido em seu ânus. Ao olhar para Conde começou a se debater com esgar de desespero, e ele, sangrando por dentro como um animal abatido, começou a libertá-la. Ao tirar a mordaça de Beth, ela começa a urrar:

- Seu filho da puta! Quem te chamou aqui! Cadê o meu Coelhão, cadê? O que fizeste com ele?

Conde, confuso, emenda:

- Sua puta! Íamos nos casar! Como pôde... Que Coelhão o quê... E o Alberto, o playboy lá do Clube?!

- Aquele é outro pinto frouxo igual a você. Rôla cansada do caralho. Achas que o amor é só feito de passeios e beijinhos, seu merda! Eu amo o Coelhão, ele é homem de verdade, me pega firme, com vontade de me comer! Vivia lhe falando que queria sexo de verdade, e você confundindo minha singeleza com ingenuidade! Está tudo acabado, tudo acabado!!!

Conde pega o martelo do chão e lança-o na direção de Beth. Ela é arisca e desvia facilmente da ferramenta. Conde senta-se na cama e começa a chorar desesperado.

Coelho, já recuperado, aparece na porta com ar de valente. Vai para o lado de Elizabeth e a enrola em seus braços. Conde, que vê sua vida acabar em minutos, fala:

- Filho da puta! Entendo que as mulheres sejam falsas, mas um amigo do peito não admito. Como pôde, ordinário!?!? Hein?!?? Crioulo filho da puta!!!!!

Parte pra cima de Coelho, que desta vez o imobiliza. Coelho responde:

- Estas coisas acontecem meu amigo, todo homem é corno um dia. Eu mesmo já fui umas três vezes. Nós nos apaixonamos e pronto, isso é a vida. Escute uma coisa... O amor entre um casal existe apenas em livros, a vida moderna não permite tal sentimento.

Conde corre até a sala e tira uma calibre 22 de sua capanga preta recém-comprada na Sloper de Copa. Está desnorteado, cego. Volta ao quarto e aponta para os dois:

- Amarre-a de volta na cama como estava!!!! Agora!!!! Vou matar os dois!!! Amarre!!!

Coelho não tem escolha e amarra a moça do jeito que estava. Depois, Conde dá uma coronhada em Coelho que vai ao chão sangrando, e começa a amarrá-lo ao lado dela, na mesma a posição, de quatro. Depois do trabalho feito, resolve ficar nú também. O casal olha para ele com espanto e medo, esperando o que virá depois. Conde, sem falar nada, começa a transar com Beth sem dó, com uma vontade animalesca, com os maiores urros possíveis:

- Ahhhhhhhhhhh!!!!! Sua mulherzinha vagabunda. Cadê o pinto frouxo agora!?!? Cadê!?!

Foram minutos de um vai e vem incessante, um ritmo alucinante recheado de palavrões cabeludos. Depois do coito consumado Conde se veste, vai até a capanga, pega a fita cassete do Antônio Marcos e a insere por inteiro na vagina da pequena Elizabeth.

- Agora ele pode cantar só pra você, sua vaca, bem aí dentro!!! E outra coisa... Me esqueça pra sempre!!

Beth se contorce de dor, mas vai ao gozo como nunca, deixando Conde mais puto ainda, que cospe de nojo em cima dela. Depois, Ele olha nos olhos de Coelho e diz:

- Quanto a você, podes ficar tranquilo. Sei que não é fácil resistir à uma mulher, ainda mais se tratando de uma ninfeta dessas. Apenas aprenda a dar valor para seus amigos e não os traia mais, seu velho otário.

Deixa os dois amarrados e vai embora para o Rio de Janeiro. Pensa em tudo no trajeto e não se arrepende, sente-se aliviado, com o dever cumprido.

Conde voltou a ter uma vida normal, reencontrou a felicidade no trabalho e nunca mais se apaixonou por outra mulher. Sua amizade com Orlando aumentou, e os dois viveram anos curtindo os prazeres da vida de solteiro. Jamais voltou a Petrópolis e escutou falar de Elizabeth e Coelho.

Para não dizer que não soube de notícias, recebeu uma carta do velho Orlando vinte dias depois do ocorrido. O velho escreveu que a filha se mandara com o Coelho sem dar satifação, e que ficou sabendo que metade da cidade havia tido um caso com a leviana. Terminou a carta dizendo que sentia orgulho de Conde, que gostaria de revê-lo um dia e que estava desgostoso da vida.

O imigrante que viu o amor acabar em Petrópolis por causa de uma traição inesperada, e que via sua vida sempre em devaneios felizes ao lado de uma mulher, pegou ódio de três coisas: Petrópolis, coelho à caçadora (era seu prato predileto), e Antônio Marcos.

13 comentários:

leo boechat disse...

Meu Deus!

Eduardo Goldenberg disse...

Meu Deus!

Arthur Tirone disse...

Meu Deus!

Sylas Mello disse...

Meu Deus!

Szegeri disse...

Meu Deus!

Anonymous disse...

DEUS MEU............

Wander disse...

Meu Deus!!!!.....

Anonymous disse...

baixou um Nelson na Tijuca.....

Szegeri disse...

Relendo, hoje, refeito, as três partes do instrutivo relato, só não entendi uma coisa: o que que a Beth ficou fazendo três horas no prédio em frente ao butiquim, da primeira vez, se o Coelhão tava bebendo com o Corno no pé-sujo?

Felipinho disse...

Esperando o Coelhão. Ela tinha as chaves e sempre entrava primeiro para não dar pista. Era como se fosse de casa. O Coelhão já iria subir quando o Conde apareceu. Tanto que está dito que o Coelho ficou sem jeito, querendo ir embora, mas tardou por causa de Conde. Beth aparece algumas horas depois, sorridente, pois Coelhão ao se livrar de Conde no boteco, conseguiu entrar no prédio sem ser visto.

Eduardo disse...

Meu Deus!

Eduardo disse...

Meu Deus!

leo boechat disse...

Isso é que dá beber Genebra.