quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O AMOR ACABA EM PETRÓPOLIS - parte 2

Pois bem, no dia seguinte o Conde acorda cedo, vai rapidamente ao correio para enviar umas correspondências, e se manda para Petrópolis com seu fusca. Eram mais ou menos dez da manhã, não tão cedo quanto pretendia. Não acreditava de jeito algum na versão esquisita de seu amigo. Aliás, Orlando, não lhe telefonou como havia prometido. Andava meio despirocado por causa das sucessivas desilusões amorosas, e gastava todo o soldo com as meninas da Prado Junior. Chegava sempre altas horas da madrugada em casa, quando chegava mas era um bom rapaz.

Conde subia a serra pensativo, com a imagem de sua amada em sua mente e escutando Antônio Marcos através de seu "RoadStar". Quanto mais se aproximava da cidade, um frio na barriga aumentava como se estivesse com medo. Mas medo de quê se achava que tudo não passava de conversa fiada? A viagem curta pareceu que durou duas semanas, mas enfim, estava ele diante da vila de Elizabeth. Eram quase meio-dia. Por um momento Conde hesitou em sair do carro, e depois do abre-e-fecha porta, resolveu ficar. Não sabia o que falar sobre sua visita inesperada, já que não levava jeito algum para imprevistos. Saiu com o fusca e o estacionou numa ruazinha logo ali perto, coisa de uns cem metros. Várias coisas vinham em sua cabeça, inclusive voltar para o Rio, pois estava começando a ficar seriamente arrependido. Qurendo diminuir o nervosismo, sacou um Belmont da carteira e começou a tragar como um louco enquanto andava em direção à rua Colômbia.

Para sua surpresa, flagra Beth saindo de casa, toda arrumada diga-se de passagem. Hesita mais uma vez, e fica naquela lenga-lenga de vai-não-vai, chegando a tropeçar. Não chama sua amada, mas resolve segui-la sem que ela perceba. Beth parece apressada e anda com desenvoltura e elegância pelas ruas de Petrópolis. Está com um vestidinho amarelo na altura do joelho, bem atirada, como Conde nunca havia visto. Depois de uns vinte minutos de caminhada ela entra num prédio. Ele fica do lado de fora e prontamente resolve entrar num boteco localizado bem defronte ao edifício. Café e Bar Imperial. Mal põe os pés sobre o chão gasto do bar, e recebe um tapa nas costas que veio seguido de um urro:

- Grande Conde!!! Salve, salve.

Era Coelho, o velho motorista e amigo de épocas passadas. Ele estava de folga e bebia um cervejinha. Conde precisava dividir sua aflição com alguém e acabou contando seu problema para ele. Coelho, que estava na casa dos sessenta, ao saber da situação ficou meio sem jeito, mas tentou acalmá-lo. Conversaram umas três horas seguidas e nada de Beth. Coelho precisava ir embora e o rapaz desesperado não queria deixá-lo, mas não deu para segurar o coroa.

Beth só reaparece muito tempo depois, bem sorridente, com ar de mulher madura e independente. Alternando passos ligeiros e pequenas corridas, toma direção de sua casa, e pouco tempo depois já está entrando pelo portão. Conde, que novamente a seguia, resolve entrar também, para surpresa geral.

-Você por aqui, meu filho? Indagou o velho Oliveira.

- Pois é, saudades da Beth.

- Você é sortudo mesmo, ela acabou de chegar da faculdade, está no banheiro.

- Faculdade? Ah! Sei, sei.

Três minutos depois a moçoila surge na sala com o sorriso mais lindo do mundo, e corre de braços abertos para seu amado ao gritos...

- Meu amor!!! Que surpresa! Sempre querendo me agradar!

E Conde:

- Como foi sua aula?

- Foi muito proveitosa hoje, aprendi muita coisa.

Conde se dá conta que está amando uma mentirosa, e também que Orlando não é loroteiro. Um frio na espinha toma-lhe conta, ele tem que agir rapidamente.

[continua]

3 comentários:

Anonymous disse...

o final... Felipinho...o final

Edimar Suely disse...

Olá,

O espaço Jesus Minha Rocha completou 4 anos de existência e você faz parte dessa história. Vem comemorar comigo.

Te espero por lá.

Smack!

Edimar Suely
jesusminharocha2.zip.net

Arthur Tirone disse...

Cadê o final, meu velho?