domingo, 5 de julho de 2009

SÓ NÓS SABEMOS COMO ELA É.

A Tijuca é minha terra, meu berço, meu sangue, minha vida. Neste mês completa 250 anos de existência, e seu aniversário está sendo bastante falado por aí, principalmente pelos tartufos de pior linhagem. Os meios de comunicação mais requisitados, como a tv e o jornal, só noticiam desgraças, ploriferam a mentira, criam preconceitos e pouco se importam com a Tijuca e zona norte. Outro dia ouvi a sórdida expressão "além túnel", para os que estão para lá da zona sul, numa idéia de afastamento, separatismo. As notícias boas sobre o bairro são raras, somente aparecem quando há algum interesse por trás. Coisa de gente vil. Falam de uma violência costumeira como se isso só houvesse, ou em quantidades muito maiores, na Tijuca. Quem conhece a cidade como um todo sabe que isso é uma farsa, a violência é parte de toda a grande cidade, e não me preocupo com esse tipo de coisa por aqui. Ando a qualquer hora e lugar. Não vale nem se aprofundar no assunto.

A Tijuca é um bairro que preserva valores, de habitantes cordiais. Não hesito em afirmar que é uma família. Vá para uma rua tijucana e viva seu cotidiano que não irá tardar em entender o que lhes digo. É a antítese do que é noticiado.

Os tijucanos amam tanto onde moram que dificilmente saem do bairro para alguma coisa. Fora o trabalho, que não se pode escolher o lugar, o resto é aqui. Temos tudo no bairro, e de qualidade. Supermercados, padarias de dar inveja, açougues como antigamente (acaba de abrir um na Haddock Lobo), floriculturas, armarinhos, jornaleiros, escolas, alfaiates, sapateiros aos montes, e inúmeros outros comércios. E os bares... Ah os bares... Há fartura de bares, e isso é preciso por aqui. O tijucano nato adora passar o dia na rua, em seus bares e praças, até cansar, sem preocupações com horário. Não posso esquecer de uma coisa, temos o Maracanã, simplesmente o Maracanã. Como diz meu sábio amigo Luiz Antônio Simas, tijucano maiúsculo, somente uma coisa falta na Tijuca, um cemitério. Quando chegar a hora de subir poderemos descansar tranquilos abaixo de sete palmos cavados nestas terras sagradas. Quem sabe um dia.

Eu que vivo aqui desde que nasci, há mais de três décadas, chego a achar que a Tijuca tem vida própria. Minha relação com o bairro é de uma afeto tão agudo, que por vezes tenho certeza que proseio com a Tijuca, tratando-a como uma mãe. E recebo dela todo carinho que um filho merece, sinto-me protegido em seus braços, em suas ruas, em seus cantos, ao lado de seus outros filhos, meus irmãos. Quantas vezes voltei só pelas madrugadas da vida depois de uma carraspana, cambaleando feliz por suas nobres calçadas, e sabendo que ela me levará com tranquilidade para casa. Este sentimento maternal consegui depois de muitos anos, depois de muita intimidade e respeito, depois de dar para a mãe Tijuca o tamanho do amor que ela merece.

Farão várias festas por causa do aniversário, e sei que muita gente que participará disso não merece pisar no bairro e muito menos falar o seu nome através de suas bocas encardidas. Vou ficar quieto no meu canto, rendendo minhas homenagens recolhido no meu quarteirão, vivendo a mesmice mais bonita do mundo.

Fico um pouco chateado com algumas pessoas, posso adjetivá-las de ordinárias, que têm a intenção de falar mal do meu lugar. Às vezes sou meio traquinas com elas, mas a Tijuca vai me perdoar. Ah vai...

7 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

Bravíssimo, meu camarada! E como te entendo! Infeliz o homem que não ama o seu próprio lugar. Em breve estarei aí na Tijuca, rendendo também minha discreta homenagem ao meu futuro bairro. Putabraço!

Luiz Antonio Simas disse...

Salve, salve! Vamos reverenciar a aldeia como ela merece, meu velho. Do nosso jeito.

Guigo disse...

H. sapiens tijucanensis... é assim que me vejo, assim que eu sou, assim morrerei!

Diego Moreira disse...

Falou e disse, Felipinho. A Tijuca é ótima para se viver!

Quando garoto, eu tinha um certo preconceito com o bairro por conta de uns tijucanos babacas que eu conheci. Hoje sei que os caras não são tijucanos pois, apesar de nascidos aqui, eles sonham em morar na Barra e só aturam a Tijuca por falta de grana. Acham a Tijuca violenta. Não são tijucanos de verdade e, infelizmente, tem uns caras assim por aqui.

Torço pra que eles realizem seus sonhos e sumam daqui, deixando a Tijuca só pra nós.

Abraço!

Mariane disse...

Felipinho, que lindo! Amei o texto, e com certeza você é muito digno ao falar desse lugar maravilhoso! A Tijuca merece você, assim como você merece a Tijuca. Torço pra que seja o meu lugar e de Bruno num futuro bem próximo, talvez mais próximo que a gente imagine. Rendo graças à Tijuca hoje! Saudade, querido!

André Luis disse...

Sem palavras, definistes como ninguém o sentimento Tijucano Felipe.

Um dia realizarei meu sonho de trabalhar no meu bairro, e não mais precisar sair Dele.

PRA NADA!!!

Anonymous disse...

Tive o orgulho de morar por 9 anos na Av. Maracanã.
Estudar na Uerj, jogar bola na Rua do Matoso e no Vila da Feira, frequentar a padaria da São Francisco Xavier, ir aos cinemas da Praça Saens Peña, comer empada no Salete, trabalhar em São Cristovão e ir ao Maracanã para assistir até jogos da Bangu e do Botafogo. Sou Flamengo.

Tenho certeza que isso fez de mim uma pessoa melhor.
Viva a Tijuca.
Seus textos estão melhores a cada dia.

Abraço
Coelho