quarta-feira, 3 de junho de 2009

NOSSOS JORNALEIROS DE OUTRORA

Aproveitando a onda dos textos de meu querido amigo Luis Antônio Simas (leiam aqui e aqui), resolvi lembrar um pouquinho de um personagem fundamental da infância de outrora, o jornaleiro. Qualquer guri tinha o jornaleiro de sua rua como um parceiraço, um amigo acolhedor, uma pesssoa essencial em nossa educação.

Já escrevi algumas vezes aqui sobre o jornaleiro da minha rua, o seu Antônio. Quando era moleque, frequentava a escola, e não tinha preocupação nenhuma além dessa, vivia no jornaleiro. Eram horas do lado de dentro ou ao redor da velha banca. Seu Antônio, o único italiano botafoguense que conheci, sempre deixava que eu ficasse na banca "ajudando" ele, lembro-me que entregava jornal e revistas para os fregueses. Meu pai, que era muito seu amigo, tinha uma conta na banca, e acertava sempre no fim do mês. Sei que todo o dia pegava o glorioso Jornal dos Sports.

É bom recordar que o lado de toda banca que se preze, existe, ou existia, um apontador do jogo do bicho. Era batata.

Na banca do seu Antônio eu comprava meu álbuns e minhas figurinhas, um cotidiano quase extinto hoje, já que os álbuns são poucos, e os que estão disponíveis ninguém coleciona. Revista de sacanagem nem se fala, foram várias, daquelas suecas, que "li" na banca da rua, várias. Hoje elas nem existem mais, a garotada vê tudo pela internet, quando vêem, pois na maioria das vezes estão jogando video game. É a coqueluche da nova geração, só se faz isso. Talvez aí podemos explicar o número crescente de viados no planeta.

Outra coisa agravante é o número absurdo de jornaleiras! Nada contra as mulheres, por favor, mas dono de banca tem que ser homem. Em hipótese alguma as jornaleiras irão liberar uma revistinha pornográfica para a criançada, vão mostrar a revista Caras, Boa Forma, Capricho, Tititi... Voltamos mais uma vez, então, para o índice de viadagem que falei acima.

Podemos afirmar que é gritante a ausência de jornaleiros, e quando há um na rua, não temos mais aquela frequência de outros tempos. A gurizada está cada vez mais longe desse tipo de educação necessária, a educação da vida, do politicamente incorreto.

Hoje, a companheira da meninada, que educa, "diverte", dá conselhos, e diz o que está certo e errado, é uma tela de vidro.



Até.

5 comentários:

Anonymous disse...

o meu jornaleiro era na esquina da Alvares Chaves com Pinheiro Machado..eu lia, ajudava...remexia...trocava figurinha,,,usava a banca como minha rs..tomava conta pró Ceará ir a cidade (ao Centro)...era o maior fornecedor de Laranjeiras do C Zéfiro..bons tempos..

Anonymous disse...

Alvaro Chaves...

Claudio Yida Jr disse...

Fala Felipinho!

Belíssima lembrança e homenagem! E além da cumplicidade da molecada com os jornaleiros no quesito revista de sacanagem (o tio da banca perto de onde estudei gritava pra nós, do outro lado da rua, que tinha chegado novidade), havia ainda a maravilhosa reserva de figurinhas para os álbuns. Bons tempos...

Abraços, mano!

Marcelo Moutinho disse...

Felipinho, ninguém mais compra revista pornográfica. A pornografia agora está ao alcance de um clique...

Juliano disse...

Jornaleiro botafoguense é como dono de botequim rubronegro. A colônia italiana no Rio de Janeiro é toda tricolor!