terça-feira, 17 de março de 2009

BEMOREIRA-DUCAL

Para Leo Boechat

A Ducal roupas foi criada em 1950 por um homem chamado José Vasconcelos de Carvalho. Com a ajuda de seu pai, e com a sociedade de dois primos, eles conseguiram o montante de 22 milhões de cruzeiros para levantar a primeira loja da Ducal, na Praça Tiradentes, e uma fábrica de roupas (Cia. Brasileira de Roupas). A Ducal cresceu, e teve lojas no Rio de Janeiro, em São Paulo e Minas Gerais, e fez muito sucesso nas décadas de 50 e 60.

O nome Ducal era estratégico, pois tinha a junção das sílabas das palavras "duas calças". Quem comprava um paletó e uma calça, ganhava outra no ato, de valor mais barato. O intuito era que o cliente ficasse com uma calça para o batente e outra para o lazer. As calças da marca eram de boa qualidade, mas não eram as mais sofisticadas e com os melhores cortes. Um dos fundadores da casa, Paulo Afonso, sempre dizia: "Quem quiser roupa bem cortada que procure um alfaiate".

Pelé foi o primeiro famoso a ser garoto propaganda da Ducal. Depois do sucesso da copa de 58, ele foi procurado pelo pessoal da loja e fechou o contrato. Anos depois, Emerson Fittipaldi vestiu as calças para nova propaganda.

A inflação do meio dos anos sessenta trouxe prejuízos enormes para a casa, que em 1966 teve que se juntar com famosa rede mineira de eletrodomésticos Bemoreira. A parceria teve sucesso por alguns anos, mas aos poucos suas lojas foram fechando as portas. Em 1986, em Duque de Caxias, foi fechada a última filial.

Essa não é da minha época, pena que tenha findado. Mas conheço gente que se veste com as calças Ducal até hoje.

Até.

21 comentários:

leo boechat disse...

Obrigado pela dedicatória. Não vou reiniciar o assunto de minha participação no mundo imaginário de Simas, Digão e Goldengate. Daqui a pouco eu mesmo me convenço de que uso Bemoreira-Ducal.

Anonymous disse...

Foi na Ducal que minha mãe comprou a minha primeira (e última) calça com "vinco permanente", numa dessas "liquidações monstros" que a loja anunciava nos jornais dominicais, no final dos anos 60.
Beto

Anonymous disse...

".....que em 1966 teve que se juntar com famosa rede mineira de eletrodomésticos Bemoreira".Desculpe o redator desta noticia,mas está mal redigida....por solicitação do comando da economia do governo da revoluçao,o dr.José Luiz Moreira de Souza,presidente do grupo DUCAL,teve que aceitar a incorporação das lojas Bemoreira ao ativo da Cia.Brasileira de Roupas,lojas DUCAL.
J.JATOBÁ.

antoniofrancisco disse...

Meu primeiro emprego em 196l foi na Ducal, na época a Decasa,Daviga,Decred,Denison,Exposição,Bemoreira e uma grande firma de informática(holerite)fazia parte do grupo.(DATAMEC)
Sem entrada sem mais nada nas lojas Ducal,Ducal,Ducal.....era o nosso Rio de janeiro abençoado, pois tinhamos poucos politicos desonestos,o resto da história todos já sabem.
Antonio Francisco -Inhaúma - RJ

Anonymous disse...

A minha primeira bicicleta: 01 Monark monareta dobramatic vermelha, foi comprada nesta loja. Abs

JB disse...

Meu pai era cliente da Ducal nos anos 60 ele comprava na loja em São joão de Miriti na rua da Matriz, mas que saudade daquela época, tempo bom!

Anonymous disse...

Meu primeiro emprego foi no escritório da Ducal loja 14 no bairro de Fátima, de jun/65 a dez/66.Após 44 anos ainda guardo um par de abotoaduras comprado naquela loja. Quanta saudade !

Sérgio Birchal disse...

Meu pai foi diretor executivo da Bemoreira e depois vice presidente da UEB - União de Empresas Brasileiras. O presidente da holding era o sr José Luiz Moreira de Souza. Se não me engano, tanto a Bemoreira quanto a Ducal viviam momentos de dificuldades na segunda metade dos anos 60. A solução incentivada pelo Ministro Delfim era fazer a fusão dessas empresas, sempre com um braço financeiro atrelado, aos moldes do modelo empresarial alemão. No início dos anos 70 as empresas passaram a explorar as duas marcas juntas. O surgimento da Savassi como um importante centro comercial em BH se deve em larga medida pelo estabelecimento de uma grande loja da Bemoreira Ducal, vendendo de geladeiras e televisores a roupas e discos de vinil. Em 1978 a revista Exame Maiores e Melhores classificava as duas empresas entre as 200 maiores do Brasil. A crise financeira do início da década de 1980 pegou o grupo em cheio, que invistia de forma ousada. Um dos investimentos mais conhecidos ainda hoje é o Shopping Center Rio Sul, que acabou sendo entregue ao governo para o pagamento da dívida do grupo. Com a intervenção no Banco Independência Decred a construção do shopping consumiu a capacidade financeira das empresas restantes do grupo, que entraram em decadência.

romulo raymundo disse...

Procurando uma foto da Bemoreira Ducal da Afonso Pena,Belo Horizonte, encontrei este blog. Se acrescenta para a história, trabalhei na Ducal entre 1960 e 1964, com passagem na Denison Propaganda, do grupo. Trabalhei na loja da rua Curitiba, da rua Rio de Janeiro e, finalmente, como gerente da loja da rua da Bahia, onde ficou exposta a Taça Jules Rimet.Na época, ganhei um carro do concurso Ducal para os funcionários. Temos boas recordações. Guardei as fotos do pessoal e alguns diretores, bem como dois discos (78 rpm) da propaganda da Ducal no rádio (Jingle muito bonito. Ah, se alguem tiver a foto que citei,agradeceria. Meu e-mail é abrame.minas@globo.com

Paulo Roberto dos Santos e Silva disse...

Que saudades dos companheiros da Ducal, Aref da LD3, Lima da LD 17, Carolina da LD 5, Maial da LD15 , Fernando da LD 22, Lessa, Maria Helena e Menélio do D P. A Ducal foi uma escola profissional para mim e muitos outros funcionários... Tempo bom, que não volta mais...

Anonymous disse...

MEU PAI ERA MOTORISTA DA BEMOREIRA DUCAL ,QUE SAUDADES DESSA EPOCA

Anonymous disse...

O grupo UEB entrou em dificuldade no final da década de 70, em virtude de vários investimentos tais como, a construção de um polo industrial no Rio Grande do Norte que abrigava uma série de empresas industriais do grupo: Sparta, Duquesa, Seridó, Incarton, Banzai, uma fábrica de fertilizantes dentre outras. A Seridó. fiação e tecelagem de algodão de fibras longas a principio tinha como sócio uma empresa americana que entrou em dificuldades, sua participação foi vendida a uma holding japonesa que teve o mesmo desfecho da americana: concordata e falência. A Banzai, Incarton e a fábrica de fertilizantes não chegaram a se firmar. Além desses investimentos, também foi construído em Natal o Ducal Palace Hotel. Paralelamente a esses investimentos, o grupo investiu na sociedade com um grupo inglês numa fazenda gigantesca no Paraguai de cana de açúcar, onde levaram um calote de um general paraguaio que representava os interesses do grupo; também nesse mesmo período se deu a construção do Shopping e da torre do Rio Sul, parte da obra foi financiada pela Caixa Econômica Federal. Com a primeira crise do petróleo, a torre que iniciava a comercialização de seus andares, não obteve sucesso nas vendas, e até o inicio dos anos 80 apenas o último andar havia sido locado para um famoso grupo francês: o Maxims de Paris. Mas as parcelas do financiamento com a caixa começaram a vencer e o Grupo já duramente castigado pelos altos investimentos, pela crise mundial, pela intervenção do Banco Central no Grupo Financeiro Independência Decred alguns anos antes e com a consequência da descapitalização das suas empresas chaves: Bemoreira-Ducal e Sparta, não resistiu a segunda crise do Petróleo entrando em concordata. A Bemoreira-Ducal, conseguiu mesmo sem nenhuma atividade varejista gerenciar e pagar todas as dívidas e levantou a concordata no início dos anos 2000, graças a dedicação, competência e obstinação do Sr. Joaquim Birchal.
Além das empresas citadas acima, ainda faziam parte do grupo as empresas: Capri Empreendimentos, Alfa Café Solúvel e UEB Publicidade.

Sérgio Birchal disse...

Agradeço ao autor da última postagem pela descrição correta do destino da Bemoreira Ducal e do grupo UEB e pela menção à dedicação do meu pai.

Pri Saboia disse...

Meu avo era o José Luiz moreira de souZa ... Saudades eternas dele , suas historias e sua ousadia Priscilla Moreira de Souza Saboia

Manolo Torreira disse...

Comentário do leitor Paulo Sérgio de Moraes Sarmento enviado por email:

Aí vai mais um depoimento.Trabalhei entre 1963 e 1973, inicialmente na Denison Propaganda
chefiando a conta publicitária da Ducal São Paulo e após dois anos, fui convidado a assumir a
Gerencia Geral de Propaganda e Marketing da Ducal que havia comprado a rede de 25 lojas de
roupas Duton, passando assim de suas 11 lojas no Estado para 35, e somando 100 no total com
as operações do Rio e Minas. Demos início a uma grande reformulação, tanto nos layouts das
lojas, como no comercial e no marketing. Só para se ter idéia, a Ducal foi a primeira no varejo
a fazer campanhas na televisão. O varejo tinha nos jornais e rádios a base da sua veiculação
de anúncios. Inovamos também introduzindo a moda feminina numa rede identificada com
a roupa masculina e mais, com a fusão da Bemoreira, aderimos também aos eletromesticos.
Esse novo mix obrigou-nos a ampliar a metragem das lojas e buscar novos pontos. As lojas
da rede em São Paulo tinham visual e marketing diferenciado das lojas do Rio e Minas. As
campanhas passaram a ser mais refinadas e com apelo de moda,aliado a shows desfile em
clubes e ginásios de esporte. Chegamos a produzir cerca de 200 espetáculos por dois anos,
variando temas. Tivemos participação de grandes artistas e músicos, como Jô Soares, Luiz
Gustavo, Wanderleia, Jerry Adriane, Sandra Brea, Emmílio Santhiago e tantos outros.

Inovamos também inciando com franquia de lojas, em Bauru, Presidente Prudente e Marilia,
cujo plano era chegarmos a 500 lojas.

Foi um período de grandes projetos em todo o grupo, chegando a ter mais de 20 empresas
comerciais e industriais.

Na época, estava em pauta o modelo japonês de administração de negócios, conhecido
como "Zaibatsus", o mesmo que conglomerado e este foi o caminho escolhido pelo Luiz,
comandante do grupo.

Na verdade, além das mudanças na conjuntura já comentadas, o grupo cresceu e se
diversificou muito rapidamente, e os recursos não tiveram a mesma dinâmica, levando à
dificuldades financeiras.

Lembro-me bem do Birchal, pai do Sérgio Birchal que veio para o grupo pela Bemoreira. Fomos
da mesma época.

Participei do grupo de planejamento do Shopping Rio Sul, liderado pelo Prof. Alberto de
Oliveira Lima, numa época em que o Brasil estava engatinhando nessa área, com apenas dois,
ou três deles.

Aloísio Alves, ex governador de Natal, foi presidente da Ducal por algum tempo.

Tem muita história a ser contada sobre o grupo Ducal e todo o varejo daquela época e a
grande transformação pela qual o varejo passou a partir de então. Foi nessa mesma época
que começamos a lutar pela abertura das lojas até às 22 horas, inclusive aos sábados. Aos
domingos nas datas promocionais. Foi uma luta árdua para romper a forte recusa da maioria
dos lojistas e sindicatos que queriam trabalho até às 18 horas e nos sábados até às 12,
folgando aos domingos.

Instituto ISO 3º Milênio disse...

Aqui en Marília a filial da Ducal ficava na Rua São Luiz 749...Lembro que meu pai comprou uma bicicleta Caloi Super Luxo e me deu de presenre de Natal em 1967...Lembro do Jo Soares comandava os desfiles de modas pela Lojas Ducal...eram apresentadas no Yara Clube de Marilia.

Luiz Carlos Monteiro disse...

Meu nome é Luiz e trabalhei na Ducal de Duque de Caxias no final de 1975 até o início de 1976. Estou precisando localizar o arquivo do setor de pessoal, a fim de fazer prova junto ao INSS referente a tempo de serviço para fins de aposentadoria. Agradeço desde já qualquer ajuda nesta sentido.

sérgio Birchal disse...

Moçada, eu sou historiador de empresas com PhD pela London School of Economics. Eu gostaria de contar a história da Bemoreira Ducal. Assim, eu agradeceria aqueles que trabalharam ou tiveram alguma relação com essas empresas que me enviasse mensagens com as suas lembranças. Se houver aqueles que sabem onde estão documentos, como fotos, relatórios, reportagem da época e qualquer outro documento que possa me ser ajuda, eu agradeceria a cooperação. Muito obrigado.
Sérgio Birchal
sergiobirchal@gmail.com
http://economiaporsergiobirchal.blogspot.com
http://sociedadeecotidiano.blogspot.com

portal do poeta disse...

Trabalhei na loja da Av. São João com a D. José de Barros, de 76 a 81. Gostaria muito de saber por onde anda os companheiros da época, Célio Ferreira, Antonio Perini, Primo Zara e outros tantos.

Benedito Alberto Villalva.

Sérgio Amaral disse...

Sérgio, pensando na vida hoje, me lembrei do seu pai e me lembrei de vc. Digitei seu nome e te achei. Trabalhei com seu pai e seus tios na Bemoreira Ducal em Itabira, durante 10 anos (76 a 86) eu era jovem. Foram os melhores anos de aprendizado da minha vida. Me lembro quando vc foi estudar em Londres (temos mais ou menos a mesma idade). Eu era gerente. Sinto orgulho por ter feito parte desta empresa e até hoje sou conhecido como Sérgio da Bemoreira. Meu trabalho foi reconhecido e fui muito valorizado por isso, até hoje me orgulho pelo trabalho que realizei. Abraços, Sérgio Amaral

Sérgio Amaral disse...

Boa noite, Sérgio! Trabalhei na Bemoreira de Itabira MG durante 10 anos (76-86). Eu era garoto (acredito que temos, mais ou menos, a mesma idade - me lembro de quando você foi estudar em Londres. Foram os melhores anos de aprendizado da minha vida, trabalhei duro e fui reconhecido e valorizado na empresa, sinto muito orgulho de ter feito parte dessa equipe. E com muita tristeza recebi o pedido do seu pai para vender a filial. Com muita tristeza atendi ao pedido e vendi para um grupo de Itabira. Abraços, Sérgio Amaral