sábado, 5 de julho de 2008

A ORIGEM DOS DISCOS NO BRASIL

Fundada pelo tcheco Fred Figner em 1900, situada à Rua do Ouvidor nº 107, a Casa Edison (homenagem a Thomas Edison, o inventor do fonógrafo) foi um estabelecimento comercial destinado inicialmente à venda de equipamentos de som, máquinas de escrever, geladeiras etc. Após dois anos de funcionamento tornou-se a primeira gravadora de discos no Brasil. No ano de sua fundação, Fred Figner escreveu para a companhia Gramophone de Londres, solicitando que a firma enviasse ao Brasil técnicos gringos para gravar música brasileira. Com a vinda do técnico alemão Hagen, Figner instalou uma sala de gravação anexa à Casa Edison, na Rua do Ouvidor nº 105. Foram então gravados os primeiros discos brasileiros, em seguida enviados ao velho continente para serem prensados.

As chapas para gramophones e zonophones, com modinhas nacionais cantadas pelo popularíssimo Baiano e por Cadete, com acompanhamento de violão, e as melhores "polcas", "schottisch", "maxixes" executados pela Banda do Corpo de Bombeiros do Rio, sob a regência do maestro Anacleto de Medeiros" selaram o início de uma respeitada história musical. Entre 1902 e 1927, período da fase mecânica de gravação, foram lançados cerca de 7 mil discos, dos quais mais da metade pela Casa Edison. Até 1903, a Casa Edison produziu 3 mil gravações, dando ao Brasil o terceiro lugar no ranking mundial. Fred Figner enriqueceu, tornando-se proprietário de tudo o que se produzia em música brasileira. Montou a primeira loja de varejo do Brasil, distribuindo para todo o país, com filiais, vendedores pracistas e produção de anúncios e catálogos.

Em 1912, a Odeon Talking Machine instalou uma fábrica de prensagem de discos no Rio de Janeiro e Figner passa a ser vendedor exclusivo da Odeon, recebendo o encargo de fornecer o terreno e construir a fábrica. Esta foi a primeira fábrica de discos instalada no Brasil e a maior da América Latina. Um ano mais tarde, a fábrica Odeon começou a produzir um total de 1,5 milhão de discos por ano, tornando-se o Brasil o quarto mercado de discos. Durante a primeira guerra a venda de discos se mantém, tendo a Casa Edison comercializado 4 mil gravações de música brasileira. Em 1925, a empresa holandesa Transoceanic é encampada pela Columbia Gramophone de Londres, que desenvolveu o sistema de gravação elétrica inventado pela Western Electric. No ano seguinte, a Transoceanic-Odeon dá um pé na bunda em Figner, dominando assim a distribuição de discos no Brasil. Em 1927, Fred Figner entrega o selo Odeon e passa a gravar pelo selo Parlophon. Em 1932, a Transoceanic afasta Figner do negócio de discos. A partir deste ano, a Casa Edison restringiu sua linha de mercadorias a máquinas de escrever, geladeiras e mimeógrafos.

Em 1960, para a tristeza da nação, encerrou as atividades como oficina de máquinas de escrever e calcular.


Fundada em 15 de novembro de 1896, a Banda do Corpo de Bombeiros foi a primeira a gravar no Brasil. Teve como organizador e primeiro mestre, Anancleto de Medeiros (o de braços cruzados à frente na foto). Alguns dos maiores músicos de choro passaram por ela, entre eles Irineu de Almeida, Albertino Pimentel, Pedro Augusto, Casimiro Rocha, etc.



A Banda da Casa Edison.



Casa Edison.





Tenho a sorte de possuir algumas gravações da banda da própria Casa Edison e da banda do Corpo de Bombeiros feitas para a Casa Edison. São pedaços emocionantes da história de nossa rica música.

Apesar de ser considerado coisa do passado, parece que a coisa está dando uma reviravolta. Desde 2006, a venda de vinis no mundo supera a de cds, e até a procura pelas vitrolas aumentou. É a revolução da bolacha!

Até.

2 comentários:

Luiz Antonio Simas disse...

É po isso que minha vitrola queridíssima continua ocupando o espaço nobre da sala.
Abraço

Eugenia disse...

Amigo, o blog continua ótimo. adorei as fotos da pelada e a moela do boteco encheu de água a boca dos leitores. Quanto aos vinis... muito carinho tb nutro por eles. Nada como ver a Clarinha Nunes enorme numa capa. Bjs!