sábado, 10 de maio de 2008

O DIA EM QUE QUISERAM ME MATAR

Estou cansado de tanto beber e comer, isso é bom sinal. Que dia intenso este dez de maio! Nossa mãe!

Acordei cedo e combinei com minha nova família de Petrópolis (Diane, Ernani, e seus filhotes Neto, Rodrigo, e Antônia) de dar uma passada na Folha Seca, já que não é toda hora que eles aparecem por aqui. Ernani e Diane são tios de minha pequena Érika, e são tão bacanas que faço questão de chamá-los de família, porque não? Passamos momentos muito intensos no casco velho carioca. Folha Seca, e depois Santos. Aliás, o que é o Santos?

Foi um banquete daqueles no Casual, sempre acompanhados do carinho do amigo Joaquim José, o cheff Santos. Neste mesmo lugar encontrei o querido Arthur Mitke, o querido Fernando da uisqueria Bico Doce, e o querido Hermínio. Hermínio Bello de Carvalho, o cara que me deu a punhalada final do dia, vocês irão entender.

Depois de me esbaldar na Praça XV tomei rumo em direção à Niterói por volta das 16 horas, onde me esperavam minha menina e sua família juntamente com uma peixada daquelas. Tempero maravilhoso, mais vinho, mais uísque, e por aí vai... Até que em certo momento colocam na vitrola Roberto Carlos cantando "Cavalgada", "O Portão", e "Detalhes". Foi o bastante para que eu chorasse que nem um menino, fiquei até com vergonha, parece que descobriram o meu ponto fraco. Lembrei de vários momentos de minha vida com meu falecido pai, com meus amigos mais chegados... Foi realmente pesado demais, quase morri. A música é uma coisa que não se explica, que toca a alma dos sentimentais, dos bobos.

Há cerca de uma hora peguei o ônibus e vim pra casa juntamente de minhas chaves, meus documentos, e um embrulho da Folha Seca. Embrulho que ganhei quando ainda estava no Santos das mãos do Hermínio:

- Escuta isso aí Felipinho, depois me diz o que achou.

Estou escrevendo agora chorando mais ainda, e apreciando um disco da Áurea Martins intitulado, vejam só, "Até Sangrar". O que que é isso minha gente, pelamordedeus! É para matar um do coração, estão me sacaneando hoje, porra. Primeiro Robertão, e depois esta melancolia na voz da Áurea? Tenho cara de moleque mais já sou meio velhinho.




Este trabalho da Áurea que tem a assinatura do Hermínio é belíssimo, mas se você ouvir num momento não apropriado pode dar merda. E foi o que aconteceu comigo, não sei nem como estou conseguindo escrever aqui. Quis apenas deixar estas letras para que ficasse registrado mais um dia singular de minha vida, e quero que saibam que vou deitar-me agora com o disco da Áurea no repetidor de meu reprotutor de discos compactos, ou seja, vou escutá-lo até amanhã de manhã.

Se eu não acordar, saibam que foi por uma causa nobre.

Até.

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