quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O TAXISTA

Ontem à noite fui ao Estephanio's com os camaradas por causa da quata-feira futebolística. Lá pelas tantas, fui embora, e fiquei perambulando pela madrugada da Tijuca em busca de um táxi. Ao chegar na Av. Maracanã fiz sinal para um que passava, entrei no mesmo, e a viagem se iniciou com a conversa abaixo:

- Boa noite garoto, vai pra onde?

- Barão de Itapagipe.

Eu não estava pra conversa - um sono quase indomável - mas o taxista, um negão de uns sessenta anos estilo Toni Tornado, precisava falar:

- Tá voltando do Maracanã?

- Não. Fui ver o jogo com os amigos no bar.

- Que time de merda ? Sempre que chega na hora de decidir alguma coisa perde. Ainda mais jogando em casa. Não aguento mais ficar sofrendo por causa deste timeco! Tu é botafoguense também?

- Não, sou América.

- Puta merda! A gente pensa que tá na merda e sempre encontra alguém mais atolado ainda. Você que deve sofrer, não é não?

- Eu não, o América não joga. Hoje em dia só faz apresentações. Sofro um pouco só no campeonato Carioca.

O coroa, boa praça, achou graça e começou a rir. Já estávamos no Largo da Segunda-Feira e emendou:

- Qual seu nome camarada?

- Felipe.

- O meu é Jorge. Homem é babaca mesmo, se importa com umas coisas tão bestas. Vamos fazer o seguinte... Tá com muita pressa?

- Mais ou menos...

- Vamos tomar a saideira no Columbia! Conhece o Columbia? Um galeto que fica ali defronte ao Municipal?

Não acreditando e rindo pra caceta respondi:

- Conheço. Vamos pra a saideira.

- Vamos brindar por sermos babacas!

Bradou o seu Jorge, saindo do táxi eufórico e me incluindo na sua constatação.

E assim foi mais um fim de noite na Tijuca. O taxista e eu bebemos dois chopps cada, brindamos pelo Botafogo e pelo América (me neguei a brindar por ser um babaca), e o botafoguense pagou a conta com prazer. Depois me levou em casa e disse que pararia sua jornada de trabalho por ali, também iria para a sua descansar.

Figuraças do Rio...

Até.

4 comentários:

Áquila disse...

É, Felipinho, coisas do Rio mesmo.
Sabe? encontrei aqui em Brasília um bar cujo nome é Lapa. Os caras se vestem de malandro e tem lindas fotos do Rio antigo nas paredes. Juro que foi difícil conter as lágrimas quando sentei àquelas mesas.
Um beijo enorme, mano!

Otávio Freitas disse...

Grande Felipe,
Essa foi à história, mas louca que já ouvi cara, da mesma forma vejo o quanto o carioca é um ser diferenciado, pois mesmo com toda a violência que nos ronda nos a cada dia, ainda mais se levarmos em conta a vida de um taxista, que está sujeito a isto a todo o momento, ao perceber que se tratava de um passageiro de bem ele (e você é claro) foram logo colocar em prática aquilo que o carioca tem de melhor, o poder de rir de suas derrotas e que é uma atitude muito nobre, pois admitir os fracassos é um forma de crescimento pessoal e exorcizar o medo ou sentimento ruim da perda.
Com isso,
Um grande abraço

Moacy Cirne disse...

Que história fantástica, cara! Verdade ou ficção? Ah, sim, cheguei aqui depois de passar pçelo Buteco do Edu. Abraços.

Rodrigo Ferrari disse...

Moacy, pode confiar no Mais Novo: é a pura verdade.
Abração