quinta-feira, 21 de junho de 2007

TEMPOS IGUAIS, MUNDOS DISTINTOS

Às vezes penso que vivo em uma época em que não queria viver. Estou meio cansado de ver o comportamento, na sua maioria de consumismo, que se prega nos dias de hoje. Dias em que grande parte da população provida de uma enorme inépcia, já domada pela hipnose coletiva que é a televisão e por outros meios tão pobres quanto - haja canalhas -, trata de venerar coisas que fazem com que os anos 70, 80 e até o começo dos 90, quer dizer, ontem, pareçam seculares.

Alguns desses comportamentos chego a pensar que são doentios, pois me deixam perplexo a ponto de duvidar da inocência da criança de ontem. Creio que não só a criança está incluída nesta inocência, a forma simples que se vivia tratava de dar um ar de ingenuidade para muitos, não se havia tanta maldade interior e existia o romantismo, que hoje está praticamente extinto.

Estão acabando com a bola de gude, a pipa, o elástico das meninas na pracinha do bairro , o pique-esconde e todos os outros piques, cabra-cega, pega-varetas, taco, a própria pelada descalço na rua quase não vemos mais, bambolê, e inúmeras outras bincadeiras sadias que não pregavam a individualidade do ser humano.

Hoje temos a praga dos jogos eletrônicos, ou games, que criam uma porrada de bitolados por aí, ô geração infeliz! Para se jogar uma bola, a molecada exige dos pais tênis de marca, e camisas idem, isto porque a sociedade esquálida que está aí dita esta regra. Adolescentes anormais pagando fortunas para saírem à noite em lugares vis, e falando com o jargão dos bandidos porque acham bonito, é "onda". Gente que não é nem criança e nem adolescente e que esquece a boniteza do passado recente desandando no presente, frios e sem sentimentos, mas prontos para pagarem 400 pratas num concerto do Chiclete com Banana no Citibank Hall. Lástima! Aliás, quando se anda num shopping, segunda casa de muitos, parece que estamos fora do país, já que a idolatria está na língua do Mickey, rato nojento. Quando estão em promoção é "Sale" ou "Off", tománocú. A cada semana se troca de celular, de carro, de televisão, de aparelho de som... Só enchendo o bolso dos grandes e deixando o pobre cada vez mais pobre. Por onde anda o técnico de som do bairro? Está em extinção, porque hoje tudo é descartável. E o técnico de som vai fazer o quê? Fecha a loja e fica sem emprego! E que se foda, ninguém liga pro cara ou pensa nisso.

Hoje todos se gabam por causa dos avanços tecnológicos, mas o avanço real está no crescimento do capitalismo. Todos essas bugigangas modernosas são frágeis, e fabricadas assim de propósito para que depois se compre outro novo, acabando com o emprego de muita gente. Há dois meses comprei um vitrola Philips valvulada de 1959 funcionando em perfeito estado, mostrei a menina aqui, e tiveram pessoas que olharam com deboche, mas se um dia ela apresentar defeito tem conserto, agora, se um "ipod" desses der pau pode jogar fora amigo.

Mas a resistência está aí, com aliados que também tem comportamentos que chocam e escrotizam este povinho sem cabeça que infelizmente medra a cada dia. Estes aliados geralmente gostam de coisas em comum como escutar a resenha na rádio AM, frequentar pé-sujo, escutar discos de vinil, andar com walkman (fita K7) em dias de mp3, ir à feira, ao Mercadão de Madureira (tem gente que infarta ao escutar este nome), rodas de samba em botecos, fazer roupas em alfaiate (recomendo o seu Lavandeira da Lapa), ir ao galinheiro (indico o frequentado pela minha avó, na Rua André Cavalcanti no Bairro de Fátima)... E a lista é grande.


Imagina você conhecer uma garota dessas nojentinhas e fazer o convite:

- Meu bem, vou levá-la para almoçar, vamos comer um angú, adoro angú.

- Aiiiiiiii! Angú???? Que mico, não vou não. Me leva no Outback do New York City Center.


E a nojeira é por aí mesmo, temos que combatê-la.

Sigamos de mãos dadas.



Rádio AM com cafezinho pela manhã. Viva!

Até.

5 comentários:

4rthur disse...

...e pensar que houve um tempo, não tão longínquo assim, em que se criticava as crianças "de apartamento", que cresciam jogando bolinha de gude no carpete e soltando pipa no ventilador.

Hoje em dia, nem isso... a não ser que criem um game para o playstation com essas brincadeiras.

André Mengão disse...

É meu caro, o tempo passa juntamente com as coisas boas.

Hoje tá difícil parceiro.


obs: Radinho maneiro hein...

Áquila disse...

Barão, este rádio é seu? Pelo amor de Deus, me mostra ele! É uma relíquia imensurável. Amo rádios antigos!

Felipinho disse...

Arthur

infelizmente só no playstation e ainda por cima na maioria das vezes horas à fio e sozinhas, gerando assim uma geração cada vez mais individualista.

Abração camarada.

Áquila

Herdei este rádio do meu falecido avô. É um Standart fabricado no Japão. Meu avô o adquiriu em 1962 dentro de um navio mercador, quando trabalhava no cais do porto.

Abraço.

eduardo disse...

Olá Felipe, bom dia!
Lendo "tempos iguais mundos distintos", ouvi seu radinho (muito legal) e, no final, aparecem outras indicações da época que o youtube disponibiliza. Qual minha surpresa quando cliquei no "Último Repórter Esso". Você ouviu? Cara... é emocionante!

Abraços,

Eduardo Sato